Sobre o autor[1]
Alertando-nos sobre a importância da teoria da História para o desenvolvimento
das pesquisas acadêmicas, Jorn Rusen destacou a posição científica assumida pela
História a partir das abordagens teóricas, o que lhe diferencia das produções
baseadas na ficção[2].
A historiografia, diferente dos ensaios literários, preocupa-se com sua
construção a partir dos vestígios deixados pelo homem ao longo do tempo, pois a
História não tem como objetivo apenas a narração dos fatos, mas também traz como
propósito a interpretação científica. É a busca por tais sinais que orienta a
labuta do historiador; os arquivos tornam-se locais de trabalho e a produção
seus resultados. A teoria da deusa Clio orienta os fundamentos didáticos ao
trabalho do seu artesão, sendo indispensável para o desenvolvimento de nossas
pesquisas.
Nas palavras de Michel De Certeau “uma prática sem teoria desemboca
necessariamente, mais dia menos dia, no dogmatismo de ‘valores eternos’ ou na
apologia de um ‘intemporal’”[3].
A base teórica evita os fanatismos de temáticas mais próximas do cotidiano dos
investigadores, mantendo o distanciamento necessário para uma análise sem
exaltações.
Nos arquivos estão os guias das pesquisas, as fontes que discursam nos fazendo
refletir sobre os fatos, apresentando informações preciosas aos que as
manuseiam. Contudo, para que as documentações não falem por si, os vestígios
históricos devem ser questionados a luz de um aporte teórico. Os “sobreviventes”
apresentam as respostas aos nossos questionamentos a partir de um trato
teórico-metodológico, tendo como objetivo o papel fundamental do historiador: a
interpretação[4].
Para Marc Bloch, são os questionamentos que realizamos à nossa documentação que
realça ou abranda a importância de um texto, determina os limites em nossas
análises[5].
A teoria utilizada pelo historiador deve permanecer em constante harmonia com
seu objeto, pois “são as perspectivas teóricas sobre o passado humano que
decidem o tipo de informação a ser extraído das fontes”[6].
É importante destacarmos que uma abordagem teórica não pode ser uma prática
definitiva, pois estão relacionadas ao seu tempo e ao objeto de análise. Os
métodos para a escrita da História se modificam junto aos fatos investigados,
surgindo novos problemas, sendo necessárias novas abordagens para a apreciação
dos novos objetos em nosso tempo. Tais modificações são salutares no sentido das
teorias não se tornarem modismos acadêmicos, muitas vezes utilizados por
historiadores que acreditam dominar o que há tempos os dominam internamente.
Durval Muniz de Albuquerque Júnior refletiu sobre a impossibilidade da
existência de um método único para a análise do conhecimento histórico,
alertando que os caminhos das investigações podem ser dos mais variados[7].
Alguns historiadores que acreditam na existência de uma abordagem epistemológica
universal, aplicável a todas as fontes, conduzem suas análises à manipulação dos
sobreviventes, ou até mesmo criar respostas que não são oferecidas por sua
documentação, pois as perguntas não serão “ouvidas” por aqueles que ainda vivem.
Para Richard Evans, “um verdadeiro historiador jamais manipulará ou distorcerá
os materiais que o passado nos deixou e que constituem a base do seu trabalho,
mas, dentro dos limites que as fontes permitem, há muito espaço para diferentes
ênfases e interpretações”[8].
Diferente da prática do interrogatório documental, o artesão da História deve
trabalhar suas fontes, elaborá-las, não questionar se em suas páginas estão às
verdades que procuram, mas destacar o efeito de sentido provocado por elas[9].
Com tal abordagem é possível o estudo das bordas, das rupturas, dos limites e
interseções, fatos que muitas vezes são esquecidos por estudiosos da Clio. O
passado deve ser visto como um leque chinês, passível de várias interpretações,
podendo ser geradas diferentes imagens do lugar que se observa[10].
A deusa que nos encanta transforma-se todos os dias, instigando aqueles que se
rendem aos seus mistérios.
Assim como a teoria, as abordagens metodológicas de uma pesquisa garantem a
sistematização das investigações nos arquivos, orientam o relacionamento entre
as fontes e as indagações científicas, além de seus questionamentos e aplicações
junto ao aporte teórico estabelecido. O método estabelece as diretrizes para a
condução do pensamento histórico durante a investigação empírica, sendo assim, o
pesquisador se capacita para instituir as reflexões teóricas que melhor se
aplicam ao processo da pesquisa[11].
As análises históricas não podem se manter sem um porto seguro, sem a elaboração
de seus questionamentos prévios, sem o diálogo constante com os sobreviventes
que podem responder nossas inquietações.
Foi a partir das determinações que conduzem o nosso trabalho como historiador
que desenvolvemos este artigo, destacando a importância da teoria e metodologia
da História para a condução das investigações acadêmicas baseadas na História
Política, Religiosa e dos Intelectuais. Para isso, dialogamos com nossa
pesquisa, utilizando-se da Análise do Discurso para avaliar as atuações dos
homens das letras no Recife do início do século XX. Desta forma, partimos das
condições de produção que determinam o uso da análise discursiva, destacando as
relações entre fontes e o método de investigação.
Enlaces sobre Política, Religião e Intelectuais.
Michel De Certeau realçou que a História é necessária para que não nos
esqueçamos de si próprio, envolvendo o povo nas constantes mudanças[12].
Ao refletir sobre suas palavras, poderíamos pensar: qual nossa importância como
historiadores? O que oferecemos à sociedade, além de livros em estantes? O fazer
historiográfico precisa manter uma preocupação social, suas produções necessitam
oferecer respostas às indagações do presente. Os questionamentos do historiador
estão vinculados as suas condições de produção e problemas do seu momento. As
documentações utilizadas nas pesquisas, quando bem questionadas, trazem
respostas às dúvidas do hoje.
Nossa produção historiográfica surgiu a partir da análise de documento que
circularam no Recife durante a década de 1930, como o Diario de Pernambuco,
Folha Universitaria, Diario da Manhã e a Revista A ordem. Em nossos
“sobreviventes”, observamos a constante participação dos letrados nas discussões
políticas do início do século XX. A atuação da intelectualidade nos rumos
sociais do país foi intensamente debatida, como observamos no ciclo de
conferências sobre o papel da intelectualidade no século XXI, realizado em 2005
na UFRJ[13].
Foi a partir destas condições que decidimos nos debruçar sobre as atuações dos
intelectuais na Capital pernambucana durante o projeto de Restauração Católica[14]
entre os anos de 1930 e 1937. Para isso, buscamos avaliar os efeitos de sentido
das enunciações dos homens das letras que apoiavam o processo de recatolização
da sociedade, além das relações de poder e saber que exerciam sobre a população.
Sendo assim, acreditamos que para nossa avaliação, os métodos da Análise do
Discurso e da História Política ofereciam o suporte necessário para o
desenvolvimento de nosso trabalho empírico.
Com a Análise do Discurso, podemos compreender as causas e objetivos para a
emergência das alocuções dos nossos personagens. Com a teoria realizamos uma
ligação entre os métodos da Lingüística e da História, ressaltando os valores da
interdisciplinaridade defendida por teóricos da Escola dos Annales e da
Nova História, fato que colaborou com a compreensão do sentido das
propostas dos letrados[15].
Segundo Michel Foucault, a Análise do Discurso leva o historiador a entender as
especificidades dos fatos, ao qual sem o método proposto teríamos maiores
dificuldades de apreciação. Para o autor, “Analisar o discurso é fazer com que
desapareçam e reapareçam as contradições: é mostrar o jogo que nele elas
desempenham; é manifestar como ele pode exprimi-las, dar-lhes corpo, ou lhes
emprestar uma fugidia aparência”[16].
No entanto, o autor observou que o método não demonstra a universalidade de um
sentido, não expõe todos os questionamentos que os historiadores fazem à
documentação analisada[17].
Além das contribuições da Análise do Discurso oferecida por Michel Foucault, as
proposições sobre as relações entre saber e poder são de grandes subsídios à
nossas pesquisas. Com suas propostas, foi possível compreendermos a importância
do saber para a manutenção do poder durante a propagação dos discursos dos
letrados na década de 1930, assim como, sua circularidade entre a população mais
simples. Gilles Deleuze observou que as afinidades do poder trabalhadas por
Michel Foucault, “é o conjunto das relações de forças, que passa tanto pelas
forças dominadas quanto dominantes, ambas constituindo singularidades”[18].
Para o teórico francês, o poder não está concentrado em um lócus de
produção discursiva, mas encontra-se fragmentado em micro poderes,
exercendo-se em todas as camadas, penetrando na vida cotidiana, independente dos
domínios do Estado[19].
Tais relações entre saber e poder nos guiaram a avaliar as interferências dos
discursos dos intelectuais na História pernambucana.
Sobre os estudos políticos, observamos que há alguns anos suas produções sofreram queda no âmbito acadêmico,
fato que
se intensificou após os novos
paradigmas propostos com a História
Cultural durante a
década
de 1970, por trazer discussões teóricas voltadas para
a análise do popular e das massas. O método
buscava inserir as camadas
que se diziam esquecidas por pesquisas da
História Política, passando a figurar como principal
procedimento de análise das novas
investigações. Com tais apreciações, aqueles que eram classificados como os
excluídos da História passaram a receber maior atenção nos escritos acadêmicos.
Acusada de adotar um caráter elitista, as
obras que seguiam perspectivas baseadas
no político estavam centradas nos estudos dos grandes
episódios,
personagens
e nas minorias privilegiadas, gerando assim críticas
dos pesquisadores
que
reconheciam na participação do sócio-cultural as
rupturas
necessárias para as mudanças históricas. Este método
era censurado por ser considerado factual, por se interessar por biografias dos
notáveis, esquecendo daqueles que se localizavam nas bordas[20].
Em contrapartida, com a História Cultural houve uma predileção pelos estudos das
“periferias”, em contraponto a centralização historiográfica oferecida por
investigadores do político. Os chamados “marginalizados” da História receberam
atenção nas produções historiográficas, pois os novos paradigmas de abordagem da
Clio estavam preocupados em realizar suas investigações voltadas para o cultural
e o social. Marshall Sahlins observou que com a História Cultural pôde-se
reconhecer as contribuições históricas das comunidades e instituições sociais.
Tal fato despertou o olhar para uma História construída de baixo, privilegiando
o povo de modo geral[21].
A partir da década de 1980, as pesquisas que tinham a História Política como
aporte teórico passaram a apresentar mudanças metodológicas significativas[22].
As modificações paradigmáticas desenvolvidas por
este viés de
análise, algumas oriundas da Escola
dos Annales, defendiam um estudo
interdisciplinar que relacionasse a
História do político com outras ciências, a exemplo
da Sociologia,
Antropologia,
Ciência Política e a
Lingüística. As afinidades
com
o campo das humanidades foram determinantes para o novo olhar, fazendo com
que o ramo fosse revisitado pelos historiadores. Tal tendência demonstrou a
capacidade da História Política ser uma contribuição teórica mudável, um campo
que se mantém ligado as suas condições de produção e ao momento histórico.
Tais mudanças no método abriram um maior leque para as pesquisas
acadêmicas, pois não estavam mais
centradas apenas
em
eleições,
disputas
partidárias e ações de grandes personagens.
A utilização da História Cultural foi um importante
suporte
para as indagações
do político, pois não existe História do político sem a análise cultural da sociedade, assim como, não há o
cultural sem o
político[23].
Tais modificações no método foram classificadas por
René Rémond como um “renascimento
teórico”[24],
por se caracterizar
como um revigoramento na sua operação
historiográfica.
Com as mudanças na História Política, os estudos das relações com o
religioso receberam forte atenção. As pesquisas abandonaram as estruturas de
análise voltadas para as hierarquias eclesiásticas, avaliando desta forma a
participação das camadas populares nos seus mecanismos[25].
Sobre a relação entre o político e o eclesiástico, “o
religioso
informa em
grandes
medidas o
político, e também o
político
estrutura o
religioso”[26],
as instituições se utilizam mutuamente para legitimar seus discursos na
sociedade. Entre a Igreja e os cristãos, a política mantém fortes ligações de
força, seja no voto, nas atuações de seus líderes que desejam criar dizibilidade
de seus atos em meio aos fiéis. Durante a década de 1930, o poder do clero foi
fundamental para legitimar as enunciações políticas baseadas na ordem e na moral
cristã, em combate a “desordem” comunista.
Outro campo de investigação que cresceu ao mesmo ritmo das
pesquisas em
História Política são as análises
voltadas para as atuações
dos intelectuais. A temática se demonstra
como um campo
aberto para novas investidas dos pesquisadores, estando no
entroncamento entre o Político, o Social e o Cultural. Lloyd S. Kramer observou
que os estudos sobre os homens das letras se encontram além de uma investigação
das idéias, integrando em seu bojo de pesquisa grande parte do que se distingue
como História[27].
Muitas análises nos fazem perceber o espaço fecundo que abriga a temática da intelectualidade,
a exemplo das
contribuições
oferecidas por Michel Foucault que já
foram destacadas neste trabalho.
Ao desenvolver análises baseadas na
intelectualidade, alguns autores se colocam em
meio a um dilema
de classificação: afinal, em uma sociedade complexa e mutável, quem
são os
intelectuais?
Tal
questionamento
conduziu parte da pesquisa que nos propomos a desenvolver,
buscando classificar na sociedade recifense as ações
de indivíduos que possam ser identificados como homens letrados. Muitos autores
defendem que a classificação de um sujeito como membro da elite intelectual
parte da sua qualidade humana, perpassando por suas ações em meio aos letrados e
o povo[28].
Para Norberto Bobbio, os pensadores são aqueles com quem:
[…] se atribui de fato
ou de direito
a tarefa
específica
de elaborar e transmitir conhecimentos, teorias,
doutrinas,
ideologias,
concepções do
mundo
ou simples
opiniões, que
acabem por construir
as idéias ou
os sistemas de
idéias
de uma determinada
época
e de uma determinada
sociedade[29].
No entanto, as atuações dos intelectuais
não estão baseadas apenas
em atos
políticos ou
doutrinários, mas
também
em ações que
buscam as renovações, sejam elas
culturais, políticas ou sociais. Para as mudanças estruturais, alguns
intelectuais se organizaram em movimentos ou associações políticas que
representavam suas proposições teóricas. A criação de “redes” por parte dos
letrados é em algumas ocasiões originária dos meios de comunicação, como os
editoriais de revistas e jornais. A linguagem comum entre seus pares facilita a
propagação dos discursos que defendem, levando à população leitora seus dogmas e
crenças políticas[30].
Ao trabalharmos com a História Política e os intelectuais, não podemos nos
distanciar dos estudos das elites, mesmo reconhecendo que a temática sofreu
fortes mudanças na forma de análise. Entre as inovadoras contribuições para
avaliação do comportamento das elites na sociedade destacamos o método
prosopográfico. Tal proposta teórico-metodológica contribui a produção das
biografias coletivas, analisando as principais atuações de grupos de letrados,
políticos e aqueles classificados como a elite de uma região[31],
ou que determinaram mudanças no desenvolvimento dos eventos históricos. Com a
prosopografia é possível o historiador analisar as atuações sociais a partir de
organizações políticas, assim como, suas ações em meio à sociedade. Desta forma
as relações entre a História Política, Social e Cultural ganharam forte destaque
com as aplicações da metodologia a partir dos anos de 1960. Para Flávio H.
Heinz, os historiadores das elites que se debruçam sobre a temática e utilizam
como aporte teórico o método prosopográfico realizam um estudo sociológico do
passado, visto o caráter social desta prática de investigação[32].
Ressaltamos a importância do reconhecimento do lugar institucional dos
pesquisadores que se propõem a analisar a História dos intelectuais, pois o
pesquisador da temática está inserido no meio social como um homem
das letras, muitas vezes
identificando-se com o seu objeto de
estudo, ações e
atividades
desenvolvidas por
seus
personagens. Para Michel De Certeau, o lugar institucional do historiador determina seu discurso e suas produções
históricas. Para o autor, enquanto os súditos da Clio escrevem a História,
também estão inseridos em seu processo[33].
Neste sentido, acreditamos que para os estudos históricos não se tornarem
produções apologéticas, é de fundamental valor a base teórica para o
desenvolvimento das pesquisas, assim como, sua definição metodológica. Tais
definições parte da preocupação para que um trabalho científico não deságüe em
crenças dogmáticas, fugindo assim dos objetivos de um verdadeiro historiador.
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SILVA, Rogério Forastieri da. História da Historiografia: capítulos para
uma História das histórias da historiografia. Bauru: EDUSC, 2001.
[1]
Mestrado em História
Social da Cultura
Regional pela
Universidade
Federal
Rural de Pernambuco (UFRPE). E – mail:
casmcarlos@yahoo.com.br
[2]
RUSEN, Jorn. Reconstrução do Passado. Brasília: UNB, 2007. p. 16.
[3]
CERTEAU, Michel De. A Escrita da História.
Rio de Janeiro:
Forense
Universitária, 2002. p. 66.
[4]
Sobrevivente é uma nomenclatura utilizada por Michel Oakeshott para
classificar os documentos históricos. OAKESHOTT, Michel. Sobre a
História e Outros Ensaios. Rio de Janeiro: Top books, 2003. p. 111.
[5]
BLOCH, Marc. Apologia da História ou o Ofício do Historiador. Rio
de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. p. 08.
[7]
ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. História: a arte de
inventar o passado. Bauru: EDUSC, 2007. p. 155.
[8]
CANNADINE, David. (Org). Que é a História Hoje? Lisboa: Gradiva,
2006. p. 34.
[9]
FOUCAULT, Michel. Arqueologia
do Saber. Rio
de Janeiro:
Forense
Universitária, 2004. p. 07.
[10]
Cf. ALBUQUERQUE JÚNIOR, 2007, p. 149 – 162.
[11]
RUSEN, 2007, p. 101.
[12]
CERTEAU, 2002, p. 16.
[13]
Em agosto de 2005, Marilena Chauí e vários intelectuais se reuniram na
Universidade Federal do Rio de Janeiro para o ciclo de conferências
sobre o papel dos intelectuais na sociedade do Século XXI, buscando
debater sobre suas relações com a política e o pensamento filosófico.
Cf. CHAUÍ, Marilena de Souza. Intelectual engajado: uma figura em
extinção? In: NOVAS, Adauto. (Org.). O Silêncio dos
Intelectuais. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p. 19 – 44.
[14]
Termo Restauração Católica foi utilizado pela Igreja Católica
para designar o projeto liderado por Roma no início do século XX, que buscava a reativação do poder político
do catolicismo. No Brasil, o movimento foi liderado pelo Cardeal Dom
Sebastião Leme com o apoio de vários intelectuais e instituições
religiosas.
[15]
SILVA, Giselda Brito. História e Lingüística: algumas reflexões em torno
das propostas que aproximam a História da Análise do Discurso.
Sæculum - Revista de História. João Pessoa, n°. 11, p. 28 – 41, ago
/ dez. 2004. p. 32.
[16]
FOUCAULT, 2004, p. 171.
[17]
FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. São Paulo: Loyola, 2004.
p. 70.
[19]
FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder.
Rio de Janeiro:
Edições Graal, 2003. p. 75.
[20]
RÉMOND, René (Org). Por uma História
Política. Rio de
Janeiro: FVG, 2003. p. 33.
[21]
SAHLINS, Marshall David. Ilhas de História.
Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003. p. 60 - 61.
[22]
CAPELATO, Maria Helena Rolim. História Política. Revista Estudos
Históricos. Rio de Janeiro, n° 17, p. 161 – 165, 1996. p. 162.
[23]
Vera Hercília Pacheco Borges destacou as dificuldades da classificação
dos trabalhos acadêmicos como integrantes teóricos da História Política.
Segundo a autora, tal problemática é originária da amplitude dos
conceitos, podendo ser inseridos em vários ambientes do conhecimento
histórico, seja na área da cultura, sociedade ou religião. BORGES, Vera
Hercília Faria Pacheco. História Política: totalidade e imaginário.
Revista Estudos Históricos. Rio de Janeiro, vol. 9, n° 17, p. 151 –
160. 1996. p. 153.
[24] RÉMOND, 2003, p. 36.
[28]
RÉMOND, 2003, p 241.
[29]
BOBBIO, Norberto. Os Intelectuais e o Poder.
São
Paulo: UNESP, 1997. p. 110.
[30]
RÉMOND, 2003, p. 249.
[31]
Sobre o termo elite, Flávio M. Heinz destacou as dificuldades para a
classificação dos indivíduos que estão inseridos nesta divisão, pois a
nomenclatura apresenta-se ampla para a historiografia, podendo aglomerar
os indivíduos que participam de grupos influentes, dirigentes ou
abastados. Em nossa análise, preferimos atribuir o conceito de elite
para os grupos sociais que detém o poder social e/ou intelectual em seu
espaço de atuação. HEINZ, Flávio H. (Org). Por Outra História das
Elites. Rio de Janeiro: FGV, 2006. p. 08.
[33]
CERTEAU, 2002, p. 32.