Sobre o artigo[1]
Sobre o autor*
Lendo alguns dos roteiros de rádio-teatro disponíveis no acervo da Casa da
Memória,[2]
em Florianópolis, escritos entre 1955 e 1967, percebe-se que neles se manifestam
tanto o otimismo de modernização daqueles anos no Brasil como o ideário dualista
que via no país um antagonismo entre o “moderno” e o “atrasado”.[3]
Nesse período, marcado pelo chamado “nacional-desenvolvimentismo”, o Brasil
passava por intensas transformações econômicas e sociais, alavancadas por
investimentos estatais e privados, nacionais e internacionais.[4]
Em Santa Catarina, no campo, depois da Segunda Guerra Mundial, os agricultores
“perceberam uma vontade de empresas e do governo em transformarem aquelas
paisagens que nos acostumamos a associar sempre com bucolismo, tranqüilidade e
vida pacata”.[5]
Seguindo o exemplo dos trabalhadores urbanos, “que há muito vinham sendo regidos
pelo ritmo do capitalismo industrial, os lavradores de Santa Catarina passavam a
viver agora num ambiente bastante diferente do que estavam acostumados”.[6]
Nessas décadas, as transformações promovidas pela modernização foram expressadas
e apropriadas de formas diversas pelas diferentes parcelas da população. No caso
do rádio, além de difundir informações e notícias para um maior número de
pessoas, também dava vazão a representações culturais produzidas pelas elites
locais e nacionais. O próprio rádio também era parte dessa modernização,
expressando o desenvolvimento tecnológico dos meios de comunicação e a expansão
da eletricidade nas casas. Em pouco tempo “o rádio conquistou uma posição de
vanguarda, superando a imprensa escrita como veículo publicitário, graças à
associação de dois grandes motivos, já capazes de mobilizar multidões: o futebol
e a música popular”.[7]
O
rádio, cuja instalação no Brasil data de 1923, no Rio de Janeiro, chegou a Santa
Catarina em 1935, após um período experimental de dois anos.[8]
Assim, entrou no ar a primeira emissora de rádio no estado, a PRC-4, Rádio Clube
de Blumenau.[9]
No entanto, apenas em 1943 o rádio chegou na cidade de Florianópolis, por meio
de emissoras como a Guarujá e a Diário da Manhã, e desde seu início teve fortes
laços com lideranças políticas locais, em especial das famílias Ramos (PSD) e
Konder (UDN).[10]
Contudo, o rádio também levava aos “lares os problemas, as notícias, as relações
e as transformações sociais, esportivas, culturais e urbanísticas de
Florianópolis, além de diversas promoções e produtos oferecidos no comércio”.[11]
Em meio a esse conjunto de informações, eram transmitidos também programas de
rádio-teatro e de rádio-novela, que, além de serem ouvidos pelo rádio, lotavam
auditórios e emocionavam o público com melodramas.[12]
O
produtor e apresentador Aldo Silva era uma das figuras de destaque nesse momento
do rádio em Florianópolis. No acervo da Casa da Memória, proveniente do arquivo
pessoal do radialista, pode-se encontrar alguns roteiros de melodramas
transmitidos nas rádios da capital. O programa Encantamento, apresentado
e dirigido por Aldo Silva, transmitido pela rádio Diário da Manhã, tem o maior
número de roteiros disponíveis no acervo, num total de vinte e um.[13]
O radialista começou a trabalhar na rádio Difusora de Tijucas, inaugurada por
ele em 1948, mas logo se transferiu para Florianópolis, integrando-se ao grupo
de rádio-teatro da Rádio Guarujá, onde fazia locução de comerciais, além de
produzir e apresentar programas de auditório. Em 1955, transferiu-se para a
recém constituída emissora de rádio Diário da Manhã, onde passou a apresentar,
entre outros, o programa Encantamento.[14]
Acompanhando o processo de industrialização pelo qual passava o país, que
provocava profundas transformações urbanas, foram produzidas as mais variadas e
diversas manifestações simbólicas, como aquelas acerca do modo de vida nas áreas
rurais do país e das pessoas nascidas nessas regiões. Nesse período, “os
estereótipos, como o protótipo do caipira, do selvagem, e os discursos de
retrospecção (lembranças) e a descrição de paisagens naturais disseminam-se de
diversos modos, em diferentes práticas de linguagem”.[15]
Com isso, “os objetos de discurso referentes ao campo aparecem de um modo
estilizado, idealizado, seja na romantização, seja na caricatura depreciativa”.[16]
Essas representações podem ser verificadas tanto na literatura brasileira das
décadas de 1950 e 1960 como em outras formas de arte, entre as quais o cinema e
as artes plásticas, tornando populares figuras como Jeca Tatu e Mazzaropi.
Em
Santa Catarina as obras produzidas no mesmo período não deixaram de ressaltar
essas representações, percebidas inclusive nas peças de rádio-teatro produzidas
por Aldo Silva. Nessas peças, o interior é visto, “pelas pessoas que vivem na
capital, como lugar agradável, tranqüilo, bonito”.[17]
Esses programas expressam as reações entusiasmadas das camadas médias urbanas
diante dos produtos trazidos pela modernização para dentro de seus lares, além
de apresentarem a imagem do espaço rural como lugar semelhante ao distante e
inocente passado da humanidade. Um personagem dessas peças, engenheiro do Rio de
Janeiro, descreve a imaginária cidade de Serro Azul como uma “das mais belas
cidadezinhas do interior”. O engenheiro refere-se a essa cidade, “de umas cinco
mil almas”, com “ruas bem delineadas, suas residências bem dispostas”, que
“causava ao visitante uma bela impressão”, como um “paraíso”.[18]
Quando se fala acerca dos habitantes dos espaços rurais, faz-se referência a
seres presos à terra, de hábitos rústicos, muitas vezes sem saber escrever ou
mesmo falar corretamente a língua portuguesa culta. Nas palavras do engenheiro
do Rio de Janeiro, na peça acima mencionada, eles eram “gente boa e simples”.[19]
Criam-se fantasias acerca de lugares distantes, cuja localização não precisava
ser explicada com exatidão. Sabe-se, contudo, que se tratava do “interior”,
ainda que essas áreas pudessem ser tanto cidades onde predominava a produção
rural como áreas não urbanizadas de Florianópolis.
Do universal ao
local
Como dito acima, essas representações acerca das regiões rurais interioranas não
são exclusividades dos roteiros de rádio-teatro de Santa Catarina. Raymond
Williams afirma, analisando a literatura produzida na Inglaterra, do século XVI
ao XX: “em torno das comunidades existentes, historicamente bastante variadas,
cristalizaram-se e generalizaram-se atitudes emocionais poderosas. O campo
passou a ser associado a uma forma natural de vida – de paz, inocência e
virtudes simples”.[20]
Quanto à cidade, segundo o mesmo autor, ficou associada à “idéia de centro de
realizações – de saber, comunicações, luz”, embora tenham sido produzidas em
relação tanto ao campo como à cidade “poderosas associações negativas: a cidade
como lugar de barulho, mundanidade e ambição; o campo como lugar de atraso,
ignorância e limitação”.[21]
Na
literatura catarinense, pode-se encontrar algumas narrativas a respeito da vida
em áreas rurais ou no “interior”. No entanto, essas obras mostram um interior
bastante marcado por representações estereotipadas. Em Florianópolis, por
exemplo, principalmente nas regiões de urbanização mais antiga, constituíram-se
discursos acerca das transformações urbanas da cidade que remetem a um passado
tranqüilo, onde todos se conheciam, muito diferente do que seria hoje.[22]
Nesse caso, a percepção que essa parte da população possui em relação às regiões
do interior da cidade apresenta uma idéia de que essas regiões não faziam parte
da “cidade” ou mesmo que eram áreas pouco povoadas. São as praias que permeiam a
representação desse interior imaginado, uma área pouco conhecida pelos setores
urbanos, onde vivem alguns poucos seres simples e cujo modo de vida muito se
aproxima de uma vida natural.
Não é difícil encontrar na literatura produzida em Santa Catarina textos
escritos por setores de elite que exemplifiquem essas representações construídas
a respeito da vida das populações que vivem à beira mar, tendo como símbolo o
pescador. O escritor Virgílio Várzea, escrevendo em fins do século XIX e na
primeira década do século XX, optou “por envolver em suas narrativas o povo mais
simples, pescadores do litoral e colonos do interior. Praticamente não há
narrativa sua que contenha personagens urbanos, como centrais, tipos mais
sofisticados e maneirosos”.[23]
De forma geral, essas narrativas não escapam a uma idealização da vida no
“interior”, expressando estereótipos freqüentes e bastante marcantes, presentes
em textos posteriores.
Em
obra do início da década de 1950, de autoria de Juvenal Melchiades de Sousa, um
personagem que, desde o Rio de Janeiro, olha para a vida rural, afirma: “no
interior, parece-me que, uma pessoa que realmente queira produzir, poderá com
mais facilidade adquirir uma situação financeira que lhe permita viver como um
ser, realmente humano”.[24]
Segundo ele, “no interior, não se faz mister uma remuneração invejável para que
qualquer pessoa, que tenha capacidade de produção, possa ter um lar mais ou
menos confortável, que a meu ver é a maior preocupação de todos os bons chefes
de família”.[25]
Para esse personagem, “a vida é mais suave no interior”.[26]
Outra versão a respeito da vida no “interior”, também romantizada, é aquela
descrita por Othon d’Eça em Homens e algas, publicado em 1957. Esse
relato, que pretendia “gravar, em resumos curtos e secos, verdades vivas e
amargas”, apontava para um “povo triste e sem esperanças”.[27]
O autor, que observou a vida dos pescadores em seu refúgio na praia de
Coqueiros, em Florianópolis, um dos lugares do continente “abandonados, tão à
margem da cidade e de nós mesmos como se fossem lugares estranhos e distantes”,[28]
no início falava de uma vida sem pressas e sem cuidados, “sob uma grande
tranqüilidade e uma fina radiância”.[29]
Mas essa vida tranqüila “não passava de uma ligeira e alegre impressão de
veranista, de olhos turísticos que só procuravam ver e descobrir em todos os
aspectos das paisagens e dos homens coisas novas e necessárias à cura de seus
bocejos, da sua fartura ou do seu tédio”.
[30]
Depois dessa constatação, passa a narrar, de forma pretensamente realista, toda
a situação daquelas populações que sobrevivem à beira mar. Os pescadores “são
seres esmagados pelo destino, podados de qualquer aspiração promissora. Nunca
conheceram outro tipo de vida, nem puderam com ela sonhar”.[31]
Dessa forma, mostrando a vida pobre e difícil dos pescadores, o autor os
descreve sempre com pena. Em um dos capítulos mais conhecidos do livro, conta a
forma como procurava dialogar com essas pessoas: “Falo-lhes sempre a rude
linguagem que eles gostam (...) ouço-lhes as amargas incertezas do mundo em que
labutam; sinto-lhes as vidas cheias de ameaças, de tormentos, de resignações
mudas e tranqüilas”.[32]
Suas vidas estão marcadas pelo conformismo e pela completa ausência de
perspectiva em um futuro. Um desses personagens é João Claro, vinte anos de
idade, que “criou-se na praia, como um bicho, sempre sujo de areia e limo,
sempre fedendo a sargaços e a peixe fresco, sabendo aos seis anos tirar ostras
das pedras”.[33]
Como não o atraía a vida ao mar, tornou-se lavrador, sentindo “uma satisfação
agreste em rasgar a gleba rica e úmida com a sua enxada”.[34]
Para João Claro ou qualquer outro, a vida nunca estava separada daquele mundo.
Segundo uma resenha acerca de Homens e algas, publicada na época do
lançamento do livro, “a vida do homem do mar é uma vida triste. Plena de
decepções. O mar que lhes dá o sustento também lhes rouba suas vidas. O maior
amigo é também o grande traidor. Vivem no mar e para o mar. Seus olhos se
anuviam de tanto fitarem o horizonte”.[35]
Descreve-se de forma superficial nessa produção literária um “interior”
genérico, constituído por rudimentares relações de organização econômica e
social. São nessas formas arcaicas de produção que os habitantes dessas regiões
encontram algum sustento para vidas marcadas pela pobreza e pelo sofrimento. Com
o olhar de quem não pertence a esse mundo, intelectuais catarinenses, tanto
literatos como cientistas sociais, construíram representações romantizadas a
respeito das populações rurais de Florianópolis. Esses habitantes do litoral,
além do isolamento em relação à região central, teriam suas atividades
econômicas limitadas à pescaria e à agricultura, tendo por única finalidade a
subsistência do núcleo familiar. Essas atividades se dariam em meio a uma
organização social pouco propícia à colaboração e a projetos coletivos mais
amplos.[36]
De
conjunto, atribui-se às áreas rurais o estereótipo de lugares bucólicos; são
locais excelentes para que os moradores das áreas urbanas possam fugir e relaxar
de suas vidas apressadas e atribuladas. Essa calmaria seria alcançada apenas nas
regiões onde poderiam sentir a proximidade com a natureza, como se fosse
possível o retorno momentâneo a um passado da humanidade, onde haveria uma
calmaria que proporcionasse a paz de espírito. Percebe-se, dessa forma, que “os
discursos de retrospecção, produzindo o efeito de nostalgia, de reminiscência,
de lembrança de um passado rural da infância, como paraíso perdido da
humanidade, constitui um modo discursivo universal de referência ao campo”.[37]
Nesses discursos o homem rural é um ser quase selvagem, quase uma parte da
natureza, desconhecedor dos hábitos da civilização, geralmente com uma fala
considerada estranha, analfabeto e incapaz de entende o modo de viver e as
preocupações do mundo “civilizado”. Segundo Raymond Williams, nesse tipo de
representação
todos os homens do
campo, de todas as épocas e condições sociais, fundem-se numa única figura
lendária. Os diferentes dialetos de diferentes comunidades rurais – as flores,
por exemplo, têm muitos nomes locais diversos – são reduzidos não apenas a um
único idioma rural como também têm sua criação atribuída a um inventor lendário,
atemporal, visto com mais facilidade do que qualquer pessoa de carne e osso.[38]
Com isso, em cada região são representados os “caipiras”, os “manés”, os
“matutos”, enfim, os diversos tipos de “Jecas Tatus” que, embora diferentes
entre si, carregam sempre muitas coisas em comum uns com os outros: a fala
considerada engraçada, a forma de se vestir, seu modo de vida, entre outros
aspectos.
Imagens do rural no
rádio
No
rádio de Florianópolis, em diferentes roteiros do programa Encantamento,
também pode-se encontrar representações acerca do rural, bastante elucidativas
quanto às imagens produzidas nos ambientes urbanos acerca das áreas rurais. Em
roteiro de fevereiro de 1959, por exemplo, um personagem que passa férias na
casa de um tio, afirma: “Eu adorava a vida na fazenda, e sempre que podia,
passava as férias com meus tios. No sertão mineiro, aquela fazenda, era como uma
jóia engastada num estojo modesto. Aos meus olhos de visitante, tudo ali era
encantamento”.[39]
Para esse personagem, a vida em São Paulo nada tinha de interessante; ele a
caracterizava como “banal”. Percebe-se que há aqui uma idealização do ambiente
rural como lugar onde tudo é encanto. Uma pessoa como ele, vivendo numa
metrópole, poderia sempre encontrar naquele lugar uma forma de escapar dos
problemas da vida urbana.
Em
outro programa, de março do mesmo ano, expressa-se essa mesma impressão urbana
acerca das áreas rurais, embora parta de um outro ponto de vista. Lenita é uma
jovem do interior que procura na cidade um lugar para construir seu futuro.
Quando questionada sobre saudades do lugar de origem ou se pretende voltar,
afirma: “Saudades, tenho... Vontade de voltar, não. Estou me habituando com
facilidade a nova vida”.[40]
Para ela, o que há de melhor na cidade é que “todos os dias, algo é novo na
nossa existência... O que mais me intediava [sic] no interior, era a rotina...
sempre as mesmas coisas para fazer, sempre as mesmas caras”.[41]
Nessa representação, as áreas rurais são lugares estáticos, que não apresentam
uma possibilidade de futuro para quem lá nasce e mora. Quem permanece na vida
rural está fadado a uma vida tediosa, presa a rotinas, onde não há possibilidade
de conhecer pessoas novas. Se no roteiro anterior as áreas rurais eram
apresentadas de forma positivada como lugares para as classes urbanas
descansarem do ritmo das cidades, neste segundo roteiro apresenta-se um aspecto
negativo do interior, ou seja, o fato de deixar as pessoas presas a uma vida que
não apresenta perspectivas de mobilidade social. No caso do segundo roteiro, a
saída das áreas rurais é uma forma de libertação, deixando o “conforto” na terra
original para se inserir na lógica do “trabalho livre” da cidade.
Essas questões ficam mais claras em programa transmitido em 30 de outubro de
1958.[42]
Nele, a protagonista era Carmen, uma “filha de papai rico”, que “estava cansada
de tantas festas, reuniões elegantes, clubes noturnos, e não sei que mais”.[43]
Em conversa com o pai, ela diz não suportar mais a cidade e que gostaria de ir
para qualquer lugar. “Eu quero é sair desta cidade”.[44]
Nessa conversa, o pai fala de uma fazenda no interior que ele havia recém
adquirido. Essa notícia empolga a jovem, que insiste para que ambos partam para
o sítio no dia seguinte. O pai, contudo, alerta a filha que “aquilo não é lugar
para uma jovem elegante como tu” e que “lá não encontrarás nenhuma diversão,
nenhum atrativo”.[45]
Depois de ouvir as insistências da jovem, o pai cede à pressão da filha,
dizendo: “amanhã iremos para a roça”.[46]
Em
outro diálogo, depois de chegarem à fazenda, o pai novamente expressa sua visão
acerca do lugar: “Isto aqui, não passa de um sítio repleto de sapos e
mosquitos”.[47]
Neste ponto, de um lado, percebe-se a construção da representação do “interior”
como lugar de calmaria, que as pessoas da cidade procuram para relaxar. De
outro, pode-se verificar a representação de que o interior seria um lugar
atrasado, onde homens rudes se confundem com bichos e com a própria natureza.
Quando sai em busca de alguma distração naquele lugar, a jovem esbarra numa
figura que no roteiro é chamada de “caboclo”, de Chico Bento e de Francisco. O
diálogo entre Carmen e o “caboclo” começa com um mal-entendido acerca de se ele
está invadindo as terras dela ou ela as terras dele. O caboclo esclarece ser a
moça quem está invadindo as terras dele: “a extrema é aquela pedra”.[48]
Quando ela tenta se desculpar, ele afirma, sem maior preocupação: “Não há
porque, dona. Aqui não se faz questão por tão pouco. Quando quiser passear nas
minhas terras, não faça caso”.[49]
Essa afirmação do caboclo faz com que a jovem passe a considerá-lo uma pessoa
bondosa, embora ele aconselhe: “Confie desconfiando”.[50]
Curiosa acerca do que deveria desconfiar, ela questiona o caboclo, que responde:
“Quando um homem qui nem eu, tá na frente de u’a moça como você, no meio dessa
mataria... tudo pode acontecê”.[51]
Ele diz para a moça que, “na sua presença, qualquer homem pode perdê a cabeça...
e fazê o que não deve”.[52]
Para além do beijo entre Chico Bento e Carmen que segue a este primeiro diálogo,
esta passagem mostra como também no rádio de Florianópolis está presente um dos
aspectos levantados por Raymond Williams, quando analisa a literatura inglesa:
os habitantes das áreas rurais teriam uma linguagem bastante rústica, uma
espécie de língua universal.[53]
Da mesma forma, o caboclo está associado a uma vida natural, ou seja, mesmo que
de forma implícita, parte-se da idéia de que a vida nas áreas urbanas estaria
muito distante da natureza. Esses homens do interior, considerados rústicos,
como os caboclos e os pescadores, ainda estariam diretamente ligados ao meio
ambiente, portanto dominados por instintos.
Depois de conhecer e se apaixonar pelo caboclo, Carmen comenta com o pai a
possibilidade de vir a se casar com algum morador da região. “O que??!! Casar-te
com desses caipiras??!! Pois olha... conseguiste dizer um disparate maior do que
o primeiro”.[54]
O primeiro disparate havia sido considerar a possibilidade de morar ali
definitivamente. Ela demora a esclarecer para o pai da sua paixão repentina pelo
caboclo Francisco. Mas, depois que conta, em meio à discussão, o pai recebe a
ligação de um amigo, o desembargador Matias. Após essa ligação, com ótimo humor,
ele volta a falar com a filha, autorizando seu casamento com o “caipira”. Depois
dessa conversa, sem entender o que está acontecendo, ela encontra o caboclo, que
então a esclarece, falando em português correto:
Não, faz muito tempo
que cheguei da Europa, onde estive estudando... Conheci-a na primeira festa que
fui... Soube, depois, que tinha partido para o sítio... No dia que me encontrou,
não tinha intenção de fazer-me passar por homem da região... Mas, assim você me
interpretou... e assim fiquei sendo... O que me interessava era estar ao seu
lado.[55]
Um
pequeno apontamento no roteiro, escrito à mão na cópia que se encontra na Casa
da Memória, complementa a fala de Francisco: “Eu sou filho do desembargador
Matias”. O casal termina junto essa história, depois de esclarecida toda a
situação. Mas permanecem algumas possibilidades de conclusões, dentro do recorte
proposto neste ensaio. Primeiro, que as áreas rurais não são lugares para que as
pessoas vivam ou construam projetos de vida, embora sejam muito agradáveis
quando se precisa descansar dos problemas e relaxar em momentos de férias.
Segundo, que não há possibilidade de uma comunicação, de uma aproximação mais
íntima, entre os dois mundos, pois os símbolos compartilhados em ambos são muito
diversos.
Nessa história, Carmen conseguiu estabelecer relação com o “caboclo” somente
porque ele não era originário daquele ambiente, mas alguém da cidade que naquele
momento representava o papel de morador do interior. Esse elemento é mostrado
logo no início da história, quando Carmen se impressiona com seu recém
conhecido: “Sempre pensei que o caboclo fosse um tipo magro, amarelo, com uma
barba rala a cobrir-lhe o rosto”.[56]
Ela considera estranho um “caboclo” tão diferente da imagem que fazia daquelas
pessoas, e é por essa figura de interior, tão diferente da representação
anterior, que ela se apaixona. Pode-se concluir, dessa forma, que certamente há
uma identificação de símbolos entre Carmen e Francisco, pois ambos são do mesmo
ambiente. Pela lógica das representações urbanas acerca do rural, seria
impossível que Carmen se apaixonasse por um “autêntico” morador daquela região.
Considerações finais
Considerando os elementos apontados acerca das representações do rural na
literatura e no rádio catarinense nas décadas de 1950 e 1960, é possível
destacar questões bastante relevantes. Uma primeira questão seria a
possibilidade de universalizar essas representações, ou seja, encontrá-las em
momentos distintos nos mais diferentes e distantes lugares. Talvez seja possível
relacionar essa representação acerca das pessoas que vivem em áreas rurais com o
homem em “estado de natureza” de Rousseau, na França do século XVIII.[57]
Também é possível encontrar analogias entre as transformações ocorridas no campo
e na cidade, que aparecem nos programas de rádio de Florianópolis, com as
disputas entre o “antigo” e o “novo” nas chorosas páginas do romance Morro
dos ventos uivantes, da inglesa Emily Brönte, escrito nas primeiras décadas
do século XIX.[58]
Por outro lado, entre alguns autores românticos, contemporâneos de Emily Brönte,
há uma percepção do rural como lugar que carrega certa aura de pureza, onde
vivem pessoas boas, como são representados, por exemplos, os camponeses
descritos em Frankenstein por Mary Shelley.[59]
Enfim, são possíveis as mais variadas e diversas analogias, que dão conta de
mostrar visões romantizadas e estereotipadas, positivas ou negativas, das áreas
rurais e das pessoas que moram nesses lugares.
Contudo, essas analogias devem evitar que as representações sejam visualizadas
de forma homogênea,
afinal elas
não pairam no ar, mas são formas de expressar idéias que possuem bases materiais
concretas. Entende-se que “a produção de idéias, de representações, de
consciência, está, de início, diretamente entrelaçada com a atividade material e
com o intercâmbio material dos homens, como a linguagem da vida”.[60]
Nesse sentido, pode-se entender as representações produzidas a respeito do rural
pela literatura européia como uma possível expressão do processo de
transformação social e econômica que veio a ser chamado de “revolução
industrial”.[61]
Pode-se também, por outro lado, fazer analogias entre essas mudanças na Europa
com as transformações econômicas e sociais por que passou o Brasil ao longo do
século XX. Se a Europa dos séculos XVIII e XIX teve a forte marca da revolução
industrial, que levou à urbanização de inúmeras regiões e em alguns países
modernizou as relações de produção do campo, também o Brasil na década de 1950
vivia um processo de intensas transformações na economia, na indústria, na
sociedade, na cidade e no campo.
O país parecia
caminhar mais rápido com planejamento estatal, antecipando as possibilidades
futuras das obras de infraestrutura e a associação a investidores externos. A
fórmula para o desenvolvimento apresentava-se quase indiscutível: o progresso
viria para superar o passado agrícola do país e privilegiar os habitantes
urbanos, os quais teriam acesso às facilidades modernas.[62]
Diante desse processo, que transforma profundamente as sociedades, surgem as
reações mais diversas, que podem ser identificadas, grosso modo, de duas formas.
De um lado, aquelas que se colocam contra a “modernização”, fazendo uma defesa
da vida no campo. Seria a indústria uma forma de corrupção do homem “puro”, pois
o mundo industrial e urbano o afastaria da natureza. De outro lado, há reações
que, em defesa da modernização, entendem que as relações de produção rurais são
“atrasadas” e, por isso, devem ser destruídas. Nessa compreensão, entende-se que
o capitalismo deva se desenvolver livremente, devendo toda e qualquer relação de
produção que possa impedir esse crescimento ser destruída ou superada. O rural
torna-se uma coisa incômoda, como se fosse um passado que insiste em permanecer
no presente. Com isso,
a partir de um lugar
discursivo urbano os objetos e sujeitos associados ao campo são ditos como
estando fora do espaço presente, e que o elemento figurativo “paisagem”, assim
como sua descrição nos textos, catalisa esse processo discursivo na imagem de um
rural distante, como natureza externa ao espaço urbano: um campo distante,
separado da cidade.[63]
Nos roteiros do programa Encantamento percebe-se um predomínio da idéia
de desenvolvimento econômico como um fator positivo, apresentada, por exemplo,
na comparação entre a vida na cidade e no interior, feita pelos personagens das
peças mencionadas, em especial Lenita e Marcelo. O interior é atrasado e calmo,
enquanto a cidade, lugar agitado e onde as “coisas acontecem”, guarda muitas
possibilidades e mistérios. Em um dos roteiros analisados, por exemplo, quando
ocorre o contato entre a personagem Carmen e o “caboclo”, também pode-se
perceber essa mesma representação, pois o homem rural é visto negativamente, a
ponto de não haver a possibilidade de uma relação entre um “caboclo” e uma jovem
da cidade.[64]
No programa de rádio essa relação torna-se possível apenas porque ele, na
verdade, não pertence àquele ambiente.
Deve-se também levar em conta que essas representações do rural não são meras
invenções. Nessas regiões existem pessoas com hábitos diferentes daqueles da
cidade, com suas vidas organizadas de forma bastante específica e,
principalmente, com um universo simbólico bastante peculiar em relação àquela da
sociedade. Contudo, cada comunidade rural tem suas particularidades, originadas
nas relações específicas de produção e reprodução material da vida nas quais
estão inseridas. Não há, portanto, um único rural e muito menos um homem rural
único, homogêneo. Entende-se, com Raymond Willians, que a realidade histórica é
surpreendentemente variada, ou seja,
a “forma de vida
campestre” engloba as mais diversas práticas – de caçadores, pastores,
fazendeiros e empresários agroindustriais –, e sua organização varia da tribo ao
feudo, do camponês e pequeno arrendatário à comuna rural, dos latifúndios e
plantations às grandes empresas agroindustriais capitalistas e fazendas
estatais. Também a cidade aparece sob numerosas formas: capital do Estado,
centro administrativo, centro religioso, centro comercial, porto e armazém, base
militar, pólo industrial.[65]
Se
há semelhanças entre as representações européias e catarinenses acerca do rural,
deve-se não ao fato de haver um homem interiorano universal, mas à existência de
um intercâmbio intelectual, de uma generalização literária e simbólica acerca do
que pode ser a vida rural, fazendo com que os “selvagens” representados na
Europa sejam iguais ou bastante parecidos com as representações das variações de
“matutos” no Brasil. Dessa forma, se um literato desejasse descrever algum
ambiente rural no Brasil, não precisaria fazer uma visita ao local ou conversar
com as pessoas que nele moram, bastaria ler obras européias da vida rural ou
outras que se tenham produzido no Brasil acerca do mesmo tema. Nessas
representações, todos os “caipiras” são iguais e nas áreas rurais há apenas um
monte de mato e uma aglomeração de mosquitos. Dessa forma, certamente é curioso
que se encontre, por exemplo, alguma semelhança no homem do litoral catarinense
e no homem do sertão nordestino.
Seja na literatura, nas artes ou no pensamento social, em grande parte as
imagens construídas a respeito do campo mostram o mundo rural como cenário
apartado do urbano. Segundo Silvana Paula, “o processo de modernização, mais
nitidamente vivenciado a partir da década de 1930, e seus desdobramentos
subseqüentes reforçam esta separação”. Dessa forma, “tanto o senso comum como o
pensamento social brasileiro focalizam campo e cidade divididos por uma
fronteira principalmente cultural, de modo a ser configurada uma descontinuidade
entre ambos”. Nessa descontinuidade, “o meio urbano é privilegiado como sendo o
pólo gerador dos estilos de vida sintonizados com a contemporaneidade”,
enquanto, “no tocante aos estilos de vida, o meio rural é costumeiramente
evocado (...) como sendo desprovido da aura de modernidade”.[66]
Os
ambientes urbanos, em particular suas elites políticas e econômicas, produziram
um homem rural por meio de preconceitos próprios de classes ou frações de classe
que lutavam politicamente pelo estabelecimento de sua hegemonia no Estado. Uma
de suas ferramentas foi a desqualificação das áreas rurais, a fim de justificar
massacres no campo, expropriações de propriedades, entre outras coisas. Nesse
processo, foram produzidos símbolos para mostrar que aquelas pessoas que viviam
nas regiões rurais nada mais eram que seres de hábitos muito próximos a
“selvagens”. Em Florianópolis, que vinha passando por transformações urbanas,
não foi diferente, levando também por meio das ondas do rádio a imagem de
“caipiras” e “caboclos”, bem como da “roça”, e contribuindo na construção de um
imaginário romantizado e estereotipado acerca das pessoas que moram, trabalham e
constroem suas vidas no “interior”.
[1]
Este texto é produto de prática curricular em Patrimônio Cultural,
realizada durante o curso de graduação em História, na Universidade do
Estado de Santa Catarina (UDESC), sob orientação da professora Janice
Gonçalves, em 2008. Participei de projeto de catalogação e digitalização
de roteiros do programa de rádio “Encantamento”, apresentado por Aldo
Silva, e de cartas de leitores a ele dirigidas. O acervo se encontra sob
guarda da Casa da Memória, instituição ligada à Fundação Cultural de
Florianópolis Franklin Cascaes.
*
Mestrando em História na Universidade do Estado de Santa Catarina
(UDESC). Bolsista da Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e
Tecnológica do Estado de Santa Catarina (FAPESC). Contato:
michelgsilva@yahoo.com.br.
[2]
Esse centro de documentação tem a responsabilidade de coletar, reunir e
organizar registros bibliográficos, iconográficos, fonográficos e
audiovisuais, formando coleções relativas ao município de Florianópolis
e disponibilizando-os para consulta.
[3]
LOHN, Reinaldo Lindolfo. Mitologias do desenvolvimento: extensão rural e
modernização: o caso de Santa Catarina (décadas de 1950 e 1960).
Espaço Plural, Marechal Cândido Rondon, ano IX, nº 18, 2008, p. 10.
[4]
MOREIRA, Vânia Maria Losada. Os anos JK: industrialização e modelo
oligárquico de desenvolvimento rural. In: DELGADO, Lucilia de Almeida
Neves; FERREIRA, Jorge (Orgs.). O Brasil Republicano: o tempo da
experiência democrática. Da democratização de 1945 ao golpe
civil-militar de 1964. 2ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,
2008, p. 159-60.
[5]
LOHN, Reinaldo Lindolfo. A cidade contra o campo. In: BRANCHER, Ana
(Org.). História de Santa Catarina: estudos contemporâneos.
Florianópolis: Letras Contemporâneas, 1999, p. 42.
[7]
MEDEIROS, Ricardo; VIEIRA, Lúcia Helena. História do rádio em Santa
Catarina. Florianópolis: Insular, 1999,
p. 20.
[8]
SANDOMÊNICO, Regina. Rádio: na 3ª idade, mas ágil como adolescente. In:
BALDASSER, Maria José; CHRISTOFOLETTI, Rogério (Org.). Jornalismo em
perspectiva. Florianópolis: Ed. da UFSC,
2005, p. 115.
[9]
MEDEIROS & VIEIRA, Op. Cit., p. 29.
[10]
MEDEIROS, Ricardo. Dramas no rádio: a radionovela em
Florianópolis nas décadas de 50 e 60. Florianópolis: Insular: Fundação
Franklin Cascaes, 1998, p. 22-24.
[11]
MACHADO, Aldonei. Músicas, shows e estrelas no dial: a Rádio Guarujá e a
chegada da indústria cultural em Florianópolis. In: COLLAÇO, Vera;
FLORES, Maria Bernadete Ramos; LEHMKUHL, Luciene (Org.). A casa do
baile: estética e modernidade em Santa Catarina. Florianópolis:
Fundação Boiteux, 2006, p. 156.
[12]
MEDEIROS, Op. Cit., p. 27-33. O melodrama constitui “a modalidade mais
popular na ficção moderna, aparentemente imbatível no mercado de sonhos
e de experiências vicárias consoladoras” (XAVIER, Ismail. O olhar e a
cena: melodrama, Hollywood, Cinema Novo, Nelson Rodrigues. São
Paulo: Cosac & Naify, 2003, p. 85). No melodrama observa-se a
preferência pelos “enredos sentimentais”, nos quais é possível
identificar duas matrizes temáticas, “a reparação da injustiça e a busca
da realização amorosa” (HUPPES, Ivete. Melodrama: o gênero e sua
permanência. Cotia: Ateliê, 2000, p. 9, 33).
[13]
CORONATO, Vivian de Camargo. O radioteatro na ilha: uma análise
das peças completas escritas para os programas “Encantamento” e “Falando
ao coração”. 2005. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Artes
cênicas). Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis, 2005,
p. 38.
[15]
PAYER, Maria Onice. O rural no espaço público urbano. In: ORLANDI, Eni
(Org.). Cidade atravessada: os sentidos públicos no espaço
urbano. Campinas: Pontes, 2001, p. 167.
[17]
CORONATO, Op. Cit., p. 56.
[18]
SILVA, Aldo. Encantamento. Florianópolis: Rádio Diário da Manhã,
[sem data], p. 1. Os roteiros do programa Encantamento citados
neste trabalho fazem parte da coleção “Memória do Rádio”, do acervo da
Casa da Memória, ligado à Fundação Cultural de Florianópolis Franklin
Cascaes. Optou-se por manter a linguagem utilizada nesses roteiros,
mesmo quando apresenta erros de ortografia.
[20]
WILLIAMS, Raymond. O campo e a cidade: na história e na
literatura. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 11.
[22]
FALCÃO, Luiz Felipe. Memórias dissonantes, histórias díspares: relatos
das transformações urbanas em Florianópolis nas últimas décadas do
século XX. Anais do IX Encontro Nacional de História Oral, São
Leopoldo, UNISINOS 2008.
[23]
JUNKES, Lauro. Açores: travessias. Florianópolis: Insular, 2003,
p. 26.
[24]
SOUZA, Juvenal Melchiades de. A distância do passado. 2ª ed.
Florianópolis: [s.n.], 1952, p. 23.
[27]
D’EÇA, Othon. Homens e algas. 5ª ed. Florianópolis: Ed. da UFSC,
2007, p. 8.
[31]
JUNKES, Op. Cit., p. 71.
[33]
D’EÇA, Op. Cit., p. 122.
[35]
BRANDÃO, Arnaldo. Homens e algas. O Estado, Florianópolis, 04
maio. 1958. Suplemento Dominical.
[36]
Quanto às interpretações sociológicas que reforçam os estereótipos a
respeito das populações interioranas, destaca-se PEREIRA, Nereu do Vale.
Desenvolvimento e modernização: um estudo de modernização em
Florianópolis. Florianópolis: Lunardelli, 1974 e SANTOS, Silvio Coelho
dos. A zona rural da ilha de Santa Catarina. In: ______ (Org.).
Ensaios sobre sociologia e desenvolvimento em Santa Catarina.
Florianópolis: Edeme, 1971.
[37]
PAYER, Op. Cit., p. 167.
[38]
WILLIAMS, Op. Cit., p. 346-7.
[39]
SILVA, Aldo.
Encantamento.
Florianópolis: Rádio Diário da Manhã, 19 fev. 1959a, p. 1.
[40]
SILVA, Aldo. Encantamento. Florianópolis: Rádio Diário da Manhã,
26 mar. 1959b, p. 1.
[42]
Essa data é revelada por uma anotação feita a mão no roteiro.
[43]
SILVA, Aldo. Encantamento. Florianópolis: Rádio Diário da Manhã,
30 out. 1958, p. 1.
[53]
WILLIAMS, Op. Cit., p. 346-7.
[54]
SILVA, Aldo. Encantamento. Florianópolis: Rádio Diário da Manhã,
30 out. 1958, p. 4.
[57]
ROUSSEAU, Jean-Jacques. O contrato social e outros escritos. São
Paulo: Cultrix, 1979, p. 147-9.
[58]
BRONTE, Emily. O morro dos ventos uivantes. São Paulo: Nova
Cultural, 1995, p. 133-137.
[59]
SHELLEY, Mary. Frankenstein. São Paulo: Ática, 2003, p. 73-6.
[60]
ENGELS, Friedrich; MARX, Karl. A ideologia alemã: (I-Feuerbach).
4ª ed.
São Paulo: Hucitec, 1984, p. 36.
[61]
WILLIAMS, Op. Cit., p. 138-144.
[62]
LOHN, Reinaldo Lindolfo. Limites da utopia: cidade e modernização no
Brasil desenvolvimentista (Florianópolis, década de 1950). Revista
Brasileira de História, São Paulo, v. 27, nº 53, 2007, p. 298.
[63]
PAYER, Op. Cit., p. 170.
[64]
SILVA, Aldo. Encantamento. Florianópolis: Rádio Diário da Manhã,
30 out. 1958.
[65]
WILLIAMS, Op. Cit., p. 11.
[66]
PAULA, Silvana. O
country no Brasil contemporâneo. História, Ciências Saúde –
Manguinhos, Rio de Janeiro, vol. V (suplemento), julho 1998, p. 274.